Adolescente diz que foi amarrado e ficou cinco dias sem comer em clínica de AL; VÍDEO

  • 07/10/2026
(Foto: Reprodução)
Adolescente diz que foi amarrado e ficou cinco dias sem comer em clínica de AL Um adolescente de 15 anos relatou ter sido amarrado pelas mãos e pelos pés, trancado por dois dias em um quarto escuro e sem ventilação e ficado cinco dias sem comer na clínica para dependentes químicos “Jesus te Ama”, em Anadia, no interior de Alagoas. (Assista acima) 📱Participe do canal do g1 Alagoas O caso foi descoberto durante uma fiscalização do Ministério Público de Alagoas (MPAL), nesta terça-feira (6). Segundo o MP, o adolescente estava internado em um espaço destinado a adultos e foi resgatado e encaminhado ao Conselho Tutelar. Além dele, outros internos relataram que também eram amarrados e mantidos no mesmo quarto como forma de punição. Ao todo, cerca de 40 pessoas que faziam tratamento contra a própria vontade foram desinternadas. A fiscalização aconteceu após uma denúncia anônima. De acordo com o MPAL, o local apresentava diversas irregularidades, entre elas indícios de cárcere privado, maus-tratos, retenção de documentos e de dinheiro dos internos, além de funcionamento irregular da área que se apresentava como clínica. A Polícia Militar e a Polícia Civil foram acionadas durante a fiscalização. O dono do estabelecimento foi conduzido à delegacia. “Vamos abrir inquérito policial para robustecer e encaminhar para a Justiça”, explicou o delegado Medson Maia, da Delegacia Distrital de Anadia. Adolescente relata dois dias em quarto escuro Quarto em clínica de Anadia, em Alagoas. Anderson Macena Segundo o Ministério Público, o quarto usado para punição era escuro, não tinha ventilação e possuía apenas uma pequena fresta por onde a comida era entregue. Internos relataram que ficavam amarrados com cordas nas mãos e nos pés e passavam horas no local, deitados no chão ou em um colchão, sem contato com outras pessoas. Alguns apresentavam marcas nos pulsos provocadas pela contenção. O adolescente de 15 anos contou que permaneceu dois dias no espaço e que também foi obrigado a esvaziar uma piscina usando um balde. “Quando minha família veio me visitar, eu não contei isso porque eles diziam que iriam elevar minha punição. Eu dei uma de feliz, porque se eu contasse, ia sofrer uma nova punição. Eu tava há cinco dias sem comer. A salsicha quando vinha era com cheiro de podre. Aqui eu tive febre, dor de cabeça, tontura. Eu tô feliz que vou voltar pra casa”, relatou o adolescente. Outros internos fizeram relatos semelhantes sobre castigos. Segundo eles, pessoas consideradas indisciplinadas eram obrigadas a esvaziar a piscina com um balde e depois limpar o local. O MP informou ainda que havia uma pessoa com deficiência auditiva entre os internos. Clínica funcionava de forma irregular, diz MP Comunidade terapêutica e clínica de tratamento para dependentes químicos “Jesus te Ama" Anderson Macena Segundo o Ministério Público, a área que funcionava como clínica não tinha permissão ou autorização para atuar como estabelecimento de saúde nem para realizar internações involuntárias ou compulsórias. As promotoras solicitaram aos responsáveis documentos que comprovassem a existência de laudos psiquiátricos detalhados para cada paciente, indicando a necessidade de internação sem consentimento, além de eventuais decisões judiciais autorizando esse tipo de tratamento. De acordo com o MPAL, os documentos não foram apresentados. Apenas uma decisão judicial foi encontrada, mas ela se referia a um paciente que havia fugido do local. “Essa é a segunda inspeção que fazemos à clínica em menos de dois meses e constatamos a manutenção de muitas irregularidades, como indício de cárcere privado e retenção de recursos dos pacientes, além de outras que serão investigadas pelo Ministério Público de Alagoas, por meio do ajuizamento de ação civil pública e de outras medidas que se façam necessárias”, enfatizou a promotora de Justiça Viviane Farias. Clínica mantinha pacientes amarrados e sem comida em AL, diz MP Idosos relatam retenção de aposentadorias Cerca de 40 pessoas foram retiradas de uma comunidade terapêutica e clínica para dependentes químicos em Anadia. Anderson Macena Na área que funcionava como comunidade terapêutica, o MP encontrou idosos que reclamaram do tratamento recebido. Segundo o órgão, havia relatos de que eles não tinham acesso aos cartões bancários nem ao dinheiro das próprias aposentadorias. Dois idosos precisaram ser socorridos por uma ambulância devido às condições de saúde. Ao fim da fiscalização, cerca de 40 pessoas foram retiradas do local. Quatro pessoas que atuavam como “monitores” decidiram permanecer no espaço e não quiseram deixar o estabelecimento nos veículos disponibilizados pelo MPAL, com apoio da Prefeitura de Anadia. A fiscalização foi realizada pela Promotoria de Justiça de Anadia, sob responsabilidade da promotora Viviane Farias, com apoio do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos e Direito Internacional (DDHDI), coordenado pela promotora Alexandra Beurlen.

FONTE: https://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2026/10/07/adolescente-diz-que-foi-amarrado-e-ficou-cinco-dias-sem-comer-em-clinica-de-al-video.ghtml


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